26.5.11

~SOB A ÉGIDE DE CAIO FERNANDO DE ABREU~

Overdose + Desobstrução de fígado

Não é raro, tropeço e caio.
Às vezes, tombo feio de ralar o coração...
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Trago lágrimas, sorrisos, histórias, abraços... trago momentos felizes, momentos de decepção. Carrego pessoas, amores e desamores, amigos e inimigos, desafetos, paixões... Não sou um livro aberto, mas também não tão fechado que você não consiga abrir, basta ter jeito, saber tocar as páginas, uma a uma, e descobrirá de que papel é feito cada uma delas...
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A todo instante lembro de quando estava tudo em aparente paz...
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Quando tudo parece sem saída sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo...
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Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.
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Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado...
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Procurou um rótulo para pacificar o sentimento, mas não o encontrou. Solidão, melancolia, angústia, fossa, depressão - tudo ficava infinitamente inferior àquela espera enorme.
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...dizem que eu preciso aceitar mais a realidade das coisas, a dureza das coisas, e às vezes penso que tornam de propósito as coisas mais duras do que realmente são, só pra ver se eu reajo, se eu enfrento. Mas não reajo nem enfrento. A cada dia viver me esmaga com mais força.
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Tudo que é verdadeiro, volta...
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Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez...
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E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer...
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Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente, eu sou, e se não for, me farei.
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Se não for hoje, um dia será... Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo...
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Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos... colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar...
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Talvez daqui a vinte anos isso seja uma diferença insignificante. Mas por enquanto é terrível, quase um abismo...
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Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar...
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A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar, sabe quando vai dar?
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Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram...
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Tinha esquecido do perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser...
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Teu único apoio será a mão estendida que, passo a passo, raciocinas com penosa lucidez, através de cada palavra estarás quem sabe afastando pra sempre...
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Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram...
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Deixa que a loucura escorra em tuas veias. E quando te ferirem, deixa que o sangue jorre enlouquecendo também os que te feriram...
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Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor...
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Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem...
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Registro coisas que talvez nunca mais leia. Talvez precise delas para reforçar a ideia que o sofrimento ajuda o crescimento. Talvez precise delas pra lembrar como se deu o processo amor-indiferença.

Hipocrisia, mentira, falsidade e covardia. Palavras ásperas, ruins, duras, ofensivas, feias, vergonhosas. Melhor escrevê-las do que guardá-las na garganta. Tantas palavras negativas não condizem com a alegria que trago no olhar e na voz.

Assumo e presumo que contribuí igualmente para o fracasso. Tenho minha parcela de culpa. Não me envergonho de ter tentado até o último "não" que eu recebi. Eu me humilhei e fui até o fundo, consciente. Busquei por cada pedrada que recebi. Orgulho-me de não ter desviado. Insisti, persisti e resisti até o fim. O fim que você não teve coragem de dizer.

Doeu, magoou, perdi o chão. De novo. Mais uma vez. Mas quando a gente se machuca muito no mesmo lugar já não sente mais tanta dor. Eu não precisava ter me iludido. Eu não devia ter me permitido. Eu não devia ter acreditado. Mas fiz e me perdoei por ter feito.

Não precisava ter sido *xis* nem *xis*. Não precisava ter feito promessas falsas e nem ter se omitido. Não precisava ter mentido. Não precisava usar subterfúgio. Não precisa o silêncio premeditado. Não precisava detonar a sua imagem daquela maneira. Não precisava ter me tratado mal. Não precisava ter sido grosseiro. Não precisava ter se tornado estatística, "mais um", globalizado, igual a todos. Não precisava ter feito nada. Nem fugido. Não precisava ter me feito sofrer. Bastaria ter sido honesto.

Eu sofri. Nove dias contados. Passou.

Pode ficar com tudo. Com cada lembrança que só você tem. Com aquele CD que tem "aquela" música e com todas as músicas que eu gosto e que te fazem lembrar de mim. Com aquela carta que você prometeu escanear e me mandar. Com os mails que mandei e que você responderia se quisesse. Com os torpedos ignorados. Com meus desejos vãos. Transfiro todos.

Fique com todas as minhas palavras e com meu perdão.
Enfim, fique com tudo. Com o remorso também.
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Sabe de uma coisa? Eu desisto das pessoas.
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E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado.
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Ah, mas tudo bem. Em seguida todo mundo se acostuma. As pessoas esquecem umas das outra com tanta facilidade. Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é...
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Aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde....
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Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou.
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Enfrento, e reconstituo os pedaços, a gente enfeita o cotidiano. Tudo se ajeita...
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E que graça teria a vida se só houvessem dias ensolarados e amigos equilibrados?
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Ficam intimados os humanos a interromper as dores, a esquecer as mágoas, a adiar as dívidas, a perdoar os outros...
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Senti que o ritmo se acelerava pressagiando o depois em breve...
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Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizias, emoções...
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Confesso! As vezes tenho vontade de sair por ai destruindo corações, pisando em sentimentos alheios ou sei lá, alguma coisa que me faça realmente merecer esse meu sofrimento no amor.
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É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.
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Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Fui ser feliz, e não volto.
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Talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor.
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Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
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Tô bem assim, bem indiferente. O coração, um cáctus. Não me importo mais...
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E todas as coisas que eu lembrava, ou achava que lembrava, porque de tanto lembrar delas acabara por transformá-las em mera - e péssima - literatura.
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2 comentários:

  1. Nossa, Bete, quanto sentimento, quanto sofrimento, quanto amor guardado e não dispensado!!

    Esse cara deve ter sofrido muito.

    Tem frases maravilhosas aí, escondendo um caminhão de sentimentos represados.

    Senti. Fundo. Vou até levar algumas pra mim.

    Bjos.

    PAZ e LUZ

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  2. Tanto tempo sem vir aqui e me deparo com esse desabafo...
    Ajustando algumas "coisas" [dores - sentimentos - emoções - sensações] me caiu como uma luva!

    O melhor de tudo é:

    "Aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde..."

    Isso me fortalece...me faz FORTALEZA em manter essa nossa mania de cuidar uma da outra, pra sempre!

    TE AMO!

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