10.11.10

Estação do metrô São Bento. Cinco e meia da tarde. Quiosque da Bauducco. Três irmãs.
Uma dentro comprando e duas foras, acenando pelo vidro as coisas que queriam.
Um menino. Estudante. Cabulando aula, provavelmente.
- Tia, dá um trocado?
- Não tenho dinheiro. Você está com fome? perguntei.
- Estou. E vocês também estão?
- Sim, estamos, eu brinquei.
- Tá. Vou pedir alguma coisa pra outra pessoa e divido com vocês.



Falar o quê?

4.11.10

~ASSIM~ .Rumi.

Se alguém lhe perguntar como se desvela
a mais perfeita sensação do gozo,
eleve os olhos e diga

Assim.

E quando alguém mencionar
a graça do céu noturno,
suba no telhado, dance, e diga

Assim?

Se alguém quiser saber o que é
o espírito, ou a essência de Deus,
incline a fronte em sua direção,
mantenha o rosto colado

assim.

E quando alguém evocar a velha poesia
das nuvens que, aos poucos, encobrem a lua,
afrouxe pouco a pouco os nós da tunica.

Assim?

Se alguém quiser saber como Jesus
levantou os mortos das tumbas,
não tente explicar o milagre.
Beije seus lábios.

Assim. Assim.

E quando alguém perguntar
o que é morrer por amor,
faça um sinal

aqui.

Se alguém quiser saber quão alto é,
hesite, e meça com seus dedos
os espaços entre as rugas da sua testa.

Deste tamanho.

A alma às vezes larga o corpo,
e então retorna. Se alguém não acreditar,
volte para a minha morada.

Assim.

Quando os amantes sussurram,
estão contando a nossa
história

Assim.

Eu sou um céu onde espíritos vivem.
Mergulhe neste azul profundo
onde a brisa espalha segredos

Assim.

Quando alguém perguntar
o que há-de se fazer,
acenda a vela em suas mãos.

Assim.

Como o perfume de José

hhhhh!

E como retornou
o suspiro de Jacó?

Shhhhhhh!

A brisa suave limpa os olhos.

Assim.

Quando Shams retornar de Tabriz,
seu rosto há-de mostrar-se atrás da porta,
e nos surpreenderá.

Assim.