30.4.02

BOLA DE MEIA. BOLA DE GUDE
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir

Amizade,
Palavra,
Respeito,
Caráter ,
Bondade,
Alegria e
Amor



Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solitário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

29.4.02

gifs muito fófis... apesar de um erro básico no inglês... *@*





Uma homenagem pra Shine que subiu no telhado duas vezes...
GRRRRRRRRRRRR

18.4.02

AMIGAS DE INFÂNCIA
Silvana Duboc
Eu tinha doze anos quando a conheci, ela somente quatro, mas embora a diferença fosse grande ficamos amigas.
Sempre nos encontrávamos no banco de uma floresta que havia próxima da nossa casa e ela chegava com aqueles cabelinhos dourados, bem lisos, de franjinha e um arquinho para emoldurar o seu rosto.
Trazia sempre nas mãos a sua marca registrada, um ursinho de pelúcia, por isso até apelidei-a de Ursinha.
Me lembro que ela era tão pequenina que quando sentava ao meu lado no banco seus pézinhos não alcançavam o chão.
Eu como era mais velha sentia-me sempre na obrigação de olhar por ela, cuidá-la e protegê-la. Ela era inocente e eu infelizmente não tinha mais a sua pureza porque já havia descoberto algumas coisinhas da vida, pequenas coisinhas, que eu considerava enormes.
Mas ficávamos lá na floresta sentadinhas no banco e certo dia colocamos até um nome naquela floresta, Minha Sua Nossa, é, daí em diante ela passou a ser a nossa floresta. Conversávamos, contávamos segredos, dizíamos muita besteira, dávamos grandes gargalhadas e nunca tínhamos vontade de ir embora uma da outra.
Um dia quando estávamos por lá apareceu um homem, nos disse ser fotógrafo e que éramos lindas e que gostaria de tirar uma foto nossa. Ela teve um pouco de medo, mas eu a acalmei e expliquei que uma foto não teria nenhum problema, seria apenas uma recordação para nós duas no futuro.
Então ela se ajeitou no banco e meio assustada fez pose agarrada ao seu ursinho e eu ao seu lado fingi tranquilidade.
Engraçado, tenho comigo essa foto até hoje e já se passaram trinta e cinco anos. Reparo como estávamos sérias na foto, assustadas mesmo.....mas realmente, éramos lindas e só hoje descobri porque éramos tão lindas, porque éramos amigas e uma amiga reflete na outra a beleza.
Fico me perguntando que rumos a vida dela pode ter tomado, pois nos perdemos no tempo.
Sei que hoje, pelas minhas contas, ela é uma mulher de 39 anos. Imagino que deva continuar com aqueles cabelos lindos e loiros, mas acho também que devem ter encaracolado um pouco.
E as bochechas? Será que continuam rosadas no meio daquela pele tão alva?
Como era uma menina muito criativa e esperta penso que a profissão dela tenha algo a ver com criação, talvez uma designer gráfica.
Penso também, que deva ser uma excelente filha para seus pais, pois era uma criança muito amorosa........amorosa porém reservada, não se entregava a qualquer um facilmente. Deve ter poucos amigos, mas à esses poucos, deve se dedicar muito.
Quanto a mim, me tornei escritora e ela nem sabe que tantas vezes foi minha musa inspiradora.
Ah que saudades dela....gostaria de hoje, com meus quarenta e sete anos, reencontrá-la.
Imagino que ela viria até mim com aquele mesmo brilho no olhar, o seu ursinho nas mãos e me diria:
Kirid@@@@@@ eu nunca lhe esqueci!
Então eu a abraçaria com a maior ternura e talvez nem conseguisse pronunciar nenhuma palavra, apenas pensaria:
Que alegria poder rever a minha Ursinha!

16.4.02

Você não
Leo Buscaglia
Lembra daquela vez
que você me emprestou
seu carro novo
e eu o bati?
Eu pensei que você
fosse acabar comigo.
Mas você não acabou.
Você lembra daquela vez
que eu paquerei sua namorada
só pra deixá-lo com ciúme?
E você sentiu ciúme.
Eu pensei que você deixaria
de ser meu amigo.
Mas você não deixou.


Eu me lembro daquela vez
que o arrastei para a praia.
Você disse que ia chover.
Lembra que choveu mesmo?
Eu pensei que você fosse dizer:
"Eu avisei"
Mas você não disse.


Você se lembra quando,
por brincadeira,
eu espirrei creme
de torta no seu carro
Eu pensei que você fosse
me dar um soco.
Mas você não deu.

Eu relembro sempre
aquela vez que
esqueci de lhe dizer
que o baile era a rigor.
E você apareceu de roupas jeans.
Ali , sim , eu pensei :
"Desta vez ele me chuta mesmo!"
Mas você não chutou.

Sim,
houve muitas coisas
que você não fez.
Mas ficou do meu lado,
demonstrou toda a sua lealdade e,
quando foi preciso,
me protegeu.

É ... muitas vezes
eu não valorizei você
e cometi erros.
Havia tantas coisas
que eu gostaria de reparar ...
... e deixei pra quando
você voltasse do Vietnã.

Mas você não voltou.

Texto: "Aos Amigos que podemos amar Hoje" (traduzido e adaptado)
Rui Barbosa, ao chegar em sua casa, ouviu um barulho esquisito vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:
- Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que reduzir-te-á à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, disse:
- Ô moço, eu levo ou deixo os patos?

13.4.02

Cadê o passarinho que tava aqui?
P R E C I S O
Marina Colasanti
Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.

Preciso que uma proa atravesse a carne
cá centro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e
olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.

9.4.02





which children's storybook character are you?

this quiz was made by colleen
Despedida
Cecília Meireles
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão. -
Por não ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras?
Tudo.
Que desejas?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra ...)
Quero solidão.

4.4.02

HÁ APENAS DUAS COISAS COM QUE SE PREOCUPAR
Se você está bem ou se está doente.
Se você está bem, não há nada com que se preocupar.
Se você está doente, há duas coisas com que se preocupar.
Se você vai ficar bem ou se vai morrer.
Se você ficar bem, não há nada com que se preocupar.
Se você não ficar bem, há duas coisas com que se preocupar.
Se você vai pro céu ou se vai pro inferno.
Se você vai pro céu, não há nada com que se preocupar.
E se você vai pro inferno, estará tão ocupado cumprimentando os velhos amigos, que não terá tempo de se preocupar.
ENTÃO POR QUE SE PREOCUPAR¿