19.5.09
~SUTILMENTE~
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Samuel Rosa/Nando Reis
~~~~~~~~~~~~~~~~~
Mó, ouvi, lembrei de ti.
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17.5.09
~SE~

Foto da Revista Época
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
E, mais ainda,
Se seguir protestando
Se, ainda incapaz
Se insistir ainda que o mundo silencie
Se, ainda presa do grande embuste,
13.5.09
8.5.09
~O Guarda-chuva Vermelho~

Como nos antigos rituais dos indígenas norte-americanos, as pessoas começaram a chegar à igreja. Em breve, o pastor também chegou e observou sua congregação afluindo ao local. Ele foi passando lentamente de grupo em grupo, enquanto se dirigia ao púlpito para iniciar oficialmente a reunião. Todas as pessoas que ele encontrou estavam conversando, apreciando a oportunidade de rever os amigos. Quando o pastor postou-se diante de seu rebanho, sua prioridade era silenciar o povo e dar início à reunião.
Assim que começou a pedir silêncio, ele observou uma menina de 11 anos sentada na primeira fileira. Seu rosto angelical brilhava de alegria e, a seu lado, havia um lindo guarda-chuva vermelho, pronto para ser usado. A beleza e a inocência dessa cena fez o pastor sorrir para si mesmo quando ele se deu conta da fé daquela menina, uma fé que o restante das pessoas parecia ter esquecido. Todos haviam comparecido para orar pedindo chuva...
Ela, para presenciar a resposta de Deus.
26.4.09
23.4.09
22.4.09
18.4.09
30.3.09
29.3.09
22.1.09
~Esta Velha Angústia~
Esta angústia que trago há séculos em mim
Transbordou da vasilha
Em lágrimas, em grandes imaginações
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre
Este quase
Este poder ser que...
Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio
Estou lúcido e louco
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino?
Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui?
Está maluco.
Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer
— Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!
~~~~~~~~~~
Fernando Pessoa
21.11.08
20.11.08
~ATITUDE~
- Acho que vou trançar meus cabelos hoje.
Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.
No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça. Disse:
- Hummm, vou repartir meu cabelo no meio hoje.
Assim ela fez e teve um dia magnífico.
No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça. Disse
- Bem, hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.
Assim ela fez e teve um dia divertido.
No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.
- Yeeesss! exclamou, hoje não tenho que pentear meu cabelo.
ATITUDE É TUDO!
Seja mais humano e agradável com as pessoas.
Cada uma das pessoas com quem você convive está travando algum tipo de batalha.
Viva com simplicidade.
Ame generosamente.
Cuide-se intensamente.
Fale com gentileza.
E, principalmente... "não reclame".
Se preocupe em agradecer pelo que você é, e por tudo o que tem!
E deixe o restante com Deus.
Autor desconhecido.
19.11.08
~28ª BIENAL~

.r e l a t ó r i o.
En passant, todos os outros eram de uma chatice tanto no apelo visual quanto conceitual. Um pequeno à parte com os 1800 quadrinhos das réguas. Até que surgiu uma pitada de curiosidade para saber o que eram aquelas manchas que, de longe, formavam um conjunto interessante. E só. Não desci no tobogã nem subi em cubos de madeira.
Pela descrição oficial que consta no site da Bienal, a curadoria convidou artistas que trabalham no limite entre realidade e ficção, entre construção de documentos e verdades instituídas, entre memória pessoal e história coletiva, para desenvolverem e/ou apresentarem projetos que tragam à luz alguns aspectos da história da Bienal de São Paulo, seja por uma perspectiva social, documental, política ou arquitetônica.
Os poucos trabalhos aos quais dediquei meu tempo e atenção, atenderam o propósito dos curadores, ou seja, a posição ativa do espectador, possibilitando leituras e ressignificações a cada olhar, em um ambiente introspectivo – mais próximo ao tempo da biblioteca e/ou do arquivo do que ao tempo das grandes exposições e da indústria cultural.
Das quase 3 horas que fiquei por lá, me pegava procurando os estragos no piso “Escalpo” feitos pelo trânsito de visitantes, trazendo o vermelhão à mostra. Em muitos lugares, já era só o concreto mesmo. Talvez o imã que magnetize meu olhar seja a idéia da desconstrução. E procurar os detalhes nessas desconstruções, me fascinam mais ainda. Por exemplo, parei um bom tempo olhando a pilha de letras logo na entrada, procurando alguma palavra formada ali “por descuido” ou “de propósito”. Ou tentando entender a sequência utilizada pelo “morador da Bienal” para ordenar seus novos pertences. O trabalho meticuloso da separação das palavras d´O Estrangeiro também segurou meus olhos bastante tempo. Encantada mesmo, fiquei com as gravuras de Leya, em seus tamanhos variados, escorrendo doçura, trazendo a memória desfocada de telas pré-gravadas e reutilizadas. Maravilhoso. Também foram muitos minutos em frente aos painéis do Mundo Explicado. Aí sim, num silêncio introspecto, fui devorando aquelas informações em busca de uma noção de identidade clara.
Transportando-nos ao andar do vazio, realmente é lá o local indicado para a introspecção. Fui até o meio. Fiquei lá por um tempo e sim, refleti. Não exatamente “a reflexão” nos moldes sugeridos pelos curadores sobre o estado da arte hoje. Mas lá é um lugar bom para se refletir. Percebi que não era tão vazio quanto dizem. Se pensarmos nos visitantes transitando entre os pilares, cada um com suas reflexões, criando em seus pensamentos intervenções, instalações etc. que ocupassem a área, quantas obras efêmeras estiveram ali, sem que pudéssemos sequer saber?
16.11.08
~ AMIGOS INVISÍVEIS ~ Fabrício Carpinejar ~

Fotografia de Graham Jeffery
Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade.
Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.
Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.
Amizade não é dependência, submissão.
Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.
É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa.
Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas.
E já se está falando mal dele por falta de notícias.
Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva?
A proximidade física nem sempre é afetiva.
Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.
Amigo mesmo demora a ser descoberto.
É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios.
São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.
Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade.
Aqueles que não estão perto podem estar dentro.
Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.
Não vou mentir a eles ¿vamos nos ligar?¿ num esbarrão de rua.
Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.
Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados.
Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos.
Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.
Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog.
Significativos em cada etapa de formação.
Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.
Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos?
Amigo é o que fica depois da ressaca.
É glicose no sangue.
A serenidade.
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Em minha relação de amor/meio amor/meio ódio/muito ódio com os textos de Fabrício Carpinejar, esse, em especial, chegou aqui na minha caixa e serviu como carapuça num momento de questionamento do tipo "onde é que estão os meus amigos?"
Buscando respostas, cheguei à conclusão que eu sumi do cenário habitual para poder concluir, com dedicação 100%, as coisas, cursos, sarnas que eu procurei nos últimos 4 anos.
O tempo vai passando, envelhecemos, acontecem as mudanças, fazemos novas escolhas, renunciamos, mudamos a marca do shampoo, pegamos atalhos, arranjamos novas manias, faxinamos nossas posses, juntamos mais do que tínhamos e vamos indo.
Nesse loop infinito, o que fica é a nossa essência.
Podemos agregar conhecimento, adquirir títulos, mudar de casa, assistir embasbacados ao crescimento dos nossos filhos, fazer novos amigos, o que for.
Nossa essência continua. Tão invisível e tão à mostra. Necessário paradoxo.
Os amigos que conquistei foram tocados pela minha essência, assim como a amostra de cada essência de cada amigo me conquistou. Sentimos falta. É lóóóóógico. Mas temos a certeza deles. E a continuidade do ponto que paramos. We must. We trust. Pt. Saudações. Saudades.
Fica aqui criado um adesivo "Invisible Friends Inside".
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Então, Fabrício, quando digo que tenho amor aos seus textos, é porque eles me servem, me esclarecem, dizem por mim, transmitem muuuuuuuuuuuuuuuuuito melhor do que eu jamais conseguiria. O "meio amor/meio ódio" fica por conta das controvérsias, das discordâncias, da vontade de ficar trocando figurinhas do tipo "Mas e se...", tentando esgotar o que é inesgotável, despropositando num grande brainstorm cheio de bullshits. "Absolutar".
Agora quando digo que tenho muito óóóóódio de algum texto seu, é porque ele me acertou em cheio na boca do estômago. Era quando eu mais precisava. Aquela enfiada de agulha no dedo ou topada no pé da cama. Não precisamos, mas é tão necessário. Pra ficar esperto, prestar atenção, religar e centrar de novo.
Já te vi pela TV duas vezes e você é irmão gêmeo do meu sócio. Talvez eu nunca te veja pessoalmente mas só conheci um pouco da sua essência hoje, quando devorei todos os seus textos. E amanhã quero comprar seu livro Canalha pra morar na cabeceira da minha cama.
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